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Domingo, 5 de Abril de 2009
Mar... O meu refúgio

(Albufeira Praia dos Pescadores) 
 
As férias acabaram. Oito maravilhosos dias passaram à velocidade de um sopro de mar, que mal se sentiu, que passou tão de repente, mas que deixou marcas indeléveis impossíveis de apagar. Foi tudo perfeito, desde o primeiro ao último segundo. Mas se por um lado uma enorme felicidade me preencheu a alma, por outro um vazio profundamente indescritível se apoderou de mim na hora de despedida. Fui despedir-me do mar, como se tratasse de um ser que me acolheu na sua casa e que agora me ia ver partir para longe. As águas estavam mais calmas do que alguma vez haviam estado nos últimos dias, a sua limpidez e a sua transparência deixavam ver o seu interior tão puro e genuíno. Os raios de sol espelhavam-se no mar, fazendo reflexos cristalinos, brilhantes e reluzentes. Ao pé de si as crianças brincavam alegremente, sem medos, sem receios, com vontade de brincar. Como desejei tanto voltar a ser criança, voltar a ter aquele eterno e resplandecente sorriso, cair e levantar-me logo a seguir para correr pela areia ainda com uma lagrimazinha no canto do olho, mas com um sorriso maroto nos lábios, e com a força e com a certeza de que tudo é possível. As gaivotas voavam e emanavam alegria a cada novo bater de asas. Às vezes pousavam perto da água, deixando as marcas das suas pequenas patas na areia, que depois eram apagadas com o passear do mar. Como desejei ser gaivota, para poder voar livremente, para poder estar sempre perto do mar, estar sempre perto do céu, estar sempre perto do infinito. Lá ao fundo, o Horizonte olhava fixamente os meus olhos, questionava-me, e ia-me invadindo aos poucos sem pedir licença. Uma nuvem cinzenta aproximou-se lentamente de mim, a cada passo seu o turbilhão adormecido há muito no meu interior ia ganhando vida, ia acordando aos poucos, iam-se agitando os ventos, ia despertando a mágoa adormecida que em mim habitava. Senti uma tristeza inconsolável ao vislumbrar tamanha beleza. À minha frente o mar transformava-se no ser mais que perfeito que habitava a Terra. Desejei tanto ser como ele. Ter a sua beleza, ter a sua grandiosidade, ter a sua transparência, ter a sua elegância, ter a sua magnitude, ter o seu cheiro, ter a sua perfeição, ter a sua força, ter os seus mistérios, ter os seus sonhos, ter o seu brilho, ter a sua maneira de sentir, ter a sua maneira de escutar… Mas acima de tudo, desejei que alguém gostasse de mim da mesma forma como gostam do mar. As lágrimas caíram pela minha face, tentei evitá-las, quis mesmo escondê-las, mas foi impossível. O marulhar das águas parecia ecoar uma suave melodia, uma melodia que me veio abraçar e acolher cada pedacinho de cada lágrima que suavemente deslizava pelo meu rosto. A certa altura deixei de perceber porque chorava. Não sei mesmo porque o fiz, talvez tivesse sido o acumular de tantas outras coisas, o que é certo é que precisava de o fazer, há muito que tinha estas lágrimas guardadas dentro de mim, que queriam soltar-se, que queriam revelar-se. Tal como o mar as minhas lágrimas eram salgadas. Salgadas porque tinham mágoa, porque tinham tristeza, porque eram um triste desabafo, porque tinham sido reprimidas tanto tempo. Procurei respostas, procurei caminhos, formulei perguntas, mas não recebi soluções concretas. Chorei tudo o que tinha para chorar. Aos poucos as lágrimas foram secando, o Sol brilhava intensamente e parecia sorrir-me e dar-me força. Olhei uma última vez para aquela paisagem deslumbrante, única, indescritível. Senti que algo em mim tinha mudado. Senti um alívio, uma paz, uma tranquilidade, uma serenidade, um aconchego… Senti que o mar me tinha roubado os problemas, as dúvidas, as mágoas… Senti-me livre, com capacidade de sonhar, de acreditar, de sentir, de desejar, de lutar, de amar… Senti que o mar me dizia para ir, para seguir o meu caminho sem vacilar, para ter força… Foi o que fiz, depois de agarrar toda a sua força, virei costas e nunca mais olhei para trás. Na minha memória ficou aquela imagem lindíssima… o mar, coberto de luz, coberto de esperança, coberto de certezas...
 
Texto para a Fábrica de Histórias (Real)

sinto-me: :)
música: you are so beatiful

publicado por sp às 22:32
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