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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Mundos

 

O mundo é um incomensurável mar de injustiças, de guerras, de misérias, de desigualdades, de tristes sorrisos, de egoísmos, de invejas, de maldades, de infelicidades e de dolorosas lágrimas derramadas por quem apenas pede um naco de pão para enganar a fome. O mundo é um espelho nítido das atitudes, das crenças, dos ódios e da falsidade de muitos seres humanos que o habitam. O mundo é um coração magoado e ferido, que não sorri e que todos os dias chora, chora e chora. Chora ao ver uma criança que não tem comida para comer, nem pais que lhe dêem amor e carinho. Chora porque uma família vive na rua, fazendo de uma caixa de cartão o seu tecto. Chora porque vê velhinhos necessitados dotados ao abandono, sem terem ninguém que lhes dê um abraço ou uma palavra de conforto. Chora porque alguém passa por estas vidas, desvia o olhar e segue o seu caminho, sem vacilar, envolto numa bolha flutuante de indiferença, frieza e hedonismo. Chora ao sentir o rebentar de bombas, o som maligno de armas, e o grito desesperante de quem está envolvido numa guerra sem entender bem porquê. Chora porque tudo isto e muito mais, não são situações novas mas que têm perdurado ao longo dos tempos, e que poderá permanecer eternamente, se nós não fizermos nada que mude este rumo sem sentido e triste.
Felizmente, ainda existem pessoas com corações enormes capazes de transformar lágrimas em sorrisos, em aliviar a dor de alguém, e em espalhar pelo seu mundo um amor grandioso. A minha avó foi um desses seres. Ela dizia que uma só pessoa nunca conseguiria mudar as pessoas de todo o planeta, nunca conseguiria acabar com todas as guerras e com toda a miséria existentes á face da terra, mas que cada um de nós podia mudar o nosso pequeno mundo. Segundo ela, todos nós temos um mundo próprio, do qual somos nós os construtores e os governantes. Nele, nós temos o poder de o melhorar, de o tornar um local repleto de alegria, de felicidade, de paz, de amor. O segredo está em simples gestos, em humildes acções.
Todos os anos quando pelo Natal começavam as campanhas para ajudar os mais desfavorecidos, a minha avó ficava sempre indignada, porque os mais pobres não passavam mais dificuldades apenas nesta época natalícia, mas ao longo de todo o ano. A minha avó sempre regera a sua vida em torno dos mais desfavorecidos. Quando andava na escola, partilhava o seu lanche com aqueles que não tinham, dava os seus sapatos às meninas que iam descalças para a escola, partilhava os seus casacos, os seus livros, os seus cadernos. Não eram raras as vezes que a minha bisavó recebia em casa os amiguinhos que a minha avó levava consigo no fim da escola para lhes dar o lanche, o jantar e alguns acabavam por ficar lá a dormir. Sempre vivera bem, rodeada de alguns luxos e de materialismos. Mas ela não gostava desse mundo, não gostava porque paralelamente existiam muitos outros mundos onde a vida era demasiado triste, difícil e dolorosa. No entanto, ela era filha única, e quando os seus pais faleceram todos aqueles bens foram herdados por ela. A minha avó vendeu todos os bens supérfluos que renderam uma quantia avultada que lhe permitiu fundar duas instituições de caridade, uma para idosos, outra para crianças abandonadas. Deu terras a agricultores da terra, para eles cultivarem e poderem ter os seus próprios produtos. Apenas ficou com a quinta, onde crescera, onde construiu a sua família, e onde continuava a receber todos aqueles que precisavam de ajuda. Todos os dias cá em casa era uma correria, dezenas de pessoas entravam e saiam. O aroma da sopa quentinha emanava-se por toda a quinta. Eu sentava-me muitas vezes á borda da mesa, segurando a cabeça com as mãos olhava para aquelas caras que saciavam a fome, e se deliciavam apenas com um simples prato de sopa. No seu olhar um brilhozinho especial sorria quando partiam. Parecia que tinham enriquecido. A ausência da minha avó era muito frequente. Nós tínhamos empregados, que tratavam de fazer cumprir as ordens que ela deixava para continuar a ajudar os pobres da terra. Enquanto ela continuava a ajudar pessoas pelo país fora. Retirava da rua muitos sem abrigos, que trazia ou para trabalharem na quinta, ou para ajudar nas instituições. Distribuía bens alimentares por famílias mais desfavorecidas, e conseguiu sensibilizar outras famílias possantes a fazerem o mesmo. Nem mesmo a idade a avançar, o nascimento dos netos, ou o falecimento do meu avô a fizeram parar, ou vacilar. Digo mais, nem mesmo na hora da sua morte. Antes de morrer a minha avó pediu-me que continuasse a pequena obra que ela tinha vindo a construir ao longo da sua vida. Não falhei ao seu pedido, e hoje, a minha neta senta-se na borda da mesa, segurando a cabeça com as mãos, e fica ali, horas e horas a olhar para as pessoas que vêm cá amenizar as suas dificuldades. Fundei mais duas instituições, com o nome da minha avó, destinadas aos toxicodependentes, e aos sem-abrigo, com ajuda de amigos economicamente favorecidos.
Sei que o mundo não mudou totalmente, mas também sei que o meu mundo, e o mundo de todos aqueles onde a minha avó entrou, onde eu entrei, e onde futuramente a minha neta entrará, mudaram, melhoraram. Posso dizer hoje, que existem mundos onde os rios correm sorrindo sempre, onde os pássaros voam alegremente, onde as pessoas são felizes e riem, onde o sol sorri e emana um amor incondicional, onde as crianças brincam rolando na erva fresca, onde todas as famílias têm um lar construído com pilares de harmonia, paz e amor.
 
( texto fictício para a Fábrica de Histórias)

sinto-me: nostalgica

publicado por sp às 15:14
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2 comentários:
De mafalda a 3 de Dezembro de 2008 às 21:27
imaginando que o texto era verdade, a tua avó não mudou todo o mundo mas mudou o mundo de muitas pessoas que, por consequente, mudarão a vida de mais pessoas.

bonito texto!
beijocas.


De sp a 6 de Dezembro de 2008 às 00:46
Pois infelizmente o texto n é verdade, mas se todos nós melhorarmos um bocadinho o nosso mundo melhoraremos os outros.
Beijinhos e obrigado


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